Monday, January 8, 2007

A Árvore

O José costumava estudar com os amigos da faculdade naquele jardim. E costumava sentar-se, sozinho, junto a uma pedra enorme que lá existia. Gostava de falar para a pedra. Era bom para desabafar. Embora a pedra não o ouvisse, ele sentia que naquele jardim havia sempre alguém a observar. E a ouvir. Dizia-se que, séculos antes, um rapaz tinha perdido ali um anel. Esse anel era um presente que tinha para oferecer à sua amada. Triste com a perda, o rapaz ficou no jardim dia e noite, à procura dele. E, quando já tinha perdido a esperança, um velho apareceu-lhe e perguntou:

- O que procuras?
- Um anel, que tinha para pedir a minha amada em casamento…
- Perdeste-o aqui?
- Sim…
- Eu posso ajudar-te… Mas terá que haver uma espécie de acordo…
- Acordo?
- Sim. Eu sou o dono destes terrenos. Este jardim é meu. Tenho ali uma árvore muito rara, que precisa de cuidados especiais. E preciso de um jardineiro. Se aceitares a oferta de trabalho, não só serás bem pago, como colocarei de imeditato todos os meus criados à procura do teu anel. Concerteza irão encontrá-lo.

O rapaz aceitou. O anel foi encontrado pouco tempo depois. O rapaz ofereceu o anel à sua amada, casaram, e ali viveram muitos anos, sendo ele o responsável pelo jardim, durante o resto da sua vida. Reza a lenda, que o rapaz ficou tão grato, que mesmo depois de morrer, o seu espírito ali ficou, junto da tão preciosa árvore, e que daí em diante ajudou muitas pessoas a conhecerem grandes amores.
 
Diziam que aquele jardim tinha algo de místico. Diziam que conseguia juntar as pessoas. Nunca o Filipe acreditara nesse mito. Era uma estupidez, na sua opinião.

Um dia, dois anos antes, o Miguel perdera lá a carteira. Tinha algum dinheiro, mas o pior era a quantidade de documenbtos importantes que teria que recuperar. A Rita encontrou a carteira, e através do contacto que lá tinha, conseguiu chegar até ao Miguel, devolvendo-lhe os documentos que tanta falta lhe faziam. Tanto gostaram de falar um com o outro, que marcaram um encontro. E mais outro. Até que sairem juntos tornou-se um hábito. E com o tempo, acabaram por se entregar à paixão. Que durara, e se tornara mais forte, entretanto. O Miguel contava a história ao Filipe.

- Foi aqui que perdi a carteira. Carteira que a Rita encontrou. E foi por aí…
- Não me vais dizer que este jardim tem poderes… – disse o Filipe.
- Não, mas não deixa de ser curioso.
- Mera coincidência…
- Sim…

O telefone do Filipe tocou, entretanto. Enquanto que ele atendeu, o Miguel reparou numa mulher que passeava pelo jardim, com headphones, completamente abstraída do lugar onde passeava.

- O meu primo, a quem emprestei o carro, ligou-me… Está parado em plena via, o carro deixou de trabalhar… Levas-me lá? – perguntou o Filipe.
- Claro, anda daí…

Os dois saíram apressados. Tão apressados que o Filipe se esqueceu do jornal. O problema não seria grave, porém o jornal tinha, no seu interior, duas folhas importantes com os dados pessoais do Filipe, que ele tinha que entregar para uma entrevista de emprego. A mulher que ali passeava, reparou no jornal. Sentou-se um pouco, a descansar, e a folheá-lo. As duas folhas caíram. Pegou no telefone e ligou para o número do Filipe. Ainda nesse dia, a Sofia iria entregar as folhas…

Hoje o José, já com uma idade respeitável e muitos cabelos brancos, sentado num banco no qual tinha passado tantas horas ao longo da sua vida, sorriu e olhou a árvore enorme que se erguia à sua frente. “Tantas vezes ouvi esta lenda, nos meus tempos de estudante, e nunca quis acreditar. Mas tu pareces ter vontade prórpia…”

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Monday, November 6, 2006

Sol que aquece

Está aquele tempinho não sei bem de quê. Sinceramente, o Outono é qualquer coisa diferente. Adoro a Primavera, com um solinho giro, uns dias bonitos, nos quais ainda vestimos o casaco… Mas já com Sol. E folhas nas árvores. Mas o Outono tem qualquer coisa. Diferente. Olho pela janela e as árvores começam a despir-se. O chão fica coberto de folhas. Diz o meu irmão e muito bem, não há cores como as do Outono. E não há mesmo. Tenho muitas pancas. Uma delas é usar cachecol. Virá o tempo de usar cachecol. Mas ainda é cedo. Até porque o Outono é também um pouco ambíguo. Porque já tivemos frio e chuva. Mas também dias de calor. É giro, isto. Não saber bem o que devo vestir. Se vou ter calor (tenho sempre…) ou se vou ter frio. Só não é giro é ter a noite a chegar tão cedo. Dá vontade de procurar mais as pessoas. Mais calor humano. Mais aquela brincadeira, aquele sorriso. Porque aconchega a alma quando a rua parece perder a força. Quando o Sol nos deixa tão cedo, o melhor mesmo é estar bem acompanhado. Ter o sol dentro de casa. Ou naquela rua. Ou ter o sol pelo telefone. Ou ter o sol a tomar café connosco. Vale bem a pena. Se por um lado custa pensar que o Sol já se foi embora, por outro também é fácil pensar que ele só foi ao outro lado. E vem já. Por isso, não me parece boa ideia ficar tão dependente do Sol. Mais vale procurar um sol dos que não vai embora. Procurar boa companhia. Um sorriso daqueles que aquece mais que o Sol. Mais do que tudo.     

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Por aqui…

Imaginem que têm um amigo cuja vida depende de uma máquina. Ele está em sofrimento. Teriam coragem para desligar a máquina?  Assim pensei em relação a este blog. Ficou moribundo. Perdeu a força que tinha. Fiquei triste por isso. Mas só não fiz “Delete blog” porque não tive a coragem de “desligar a máquina” a este “amigo”. Por isso…

Parece-me boa ideia voltar aqui. O blog é um João dentro do João. Esse João chamou-me. Saiu da bruma. Veio buscar-me. Talvez tenha sido ele a impedir-me de acabar com o blog. Ainda bem. Cá estou. De volta. Por todos vocês que já deixaram de cá vir. Por todos vocês que já perderam a esperança de ver algo novo aqui escrito. Peço-vos desculpas pequenas. Desculpas grandes, são para o João. João, desculpa, obrigado. Não podias ficar sem escrever. Bem-vindo. 

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Thursday, July 6, 2006

Papel Rasgado

O Paulo caminhava pela rua. Perdera a conta aos cigarros que tinha fumado. No bolso da camisa tinha um papel rasgado. Nele um número de telefone. Nove algarismos. O modo de chegar onde queria. Mas não sabia bem como podia fazê-lo. Nem sabia muito bem se devia fazê-lo. Se queria fazê-lo. Não sabia que tempo faria naquele momento na Lituânia. Não sabia qual a situação política na Sérvia-Montenegro. Não sabia qual a notícia do dia na Islândia. Não sabia se isso era importante ou não. Seria, concerteza, para alguém. Sobretudo para alguém desses países. Para ele, apenas aquele papel. Aquele papel rasgado. Com um número de telefone. Que lhe trazia um rosto à memória. Que o fazia sentir quente, por dentro. Mas amargurado.

A Sofia estava numa esplanada. Lia “Assim falou Zaratustra”, de Nietzsche. Pensava naquele emaranhado de palavras como algo particularmente estimulante. Mas ligeiramente indecifrável, em algumas partes. Mas lia compulsivamente. Bebia uma água, sem gás, natural. Tinha um caderno pousado na mesa. Uma esferográfica por cima. Tirava notas do que lia. Escrevia pequenos raciocínios naquele caderno. Nele se registava parte do seu interior. Sofia estava um pouco mal-disposta. A noite anterior fora longa. Tinha saído com umas amigas, tinha bebido muito. O seu ar cansado não enganava ninguém. Não dormira mais do que três horas. Estava em jejum. O livro fora a sua única companhia desde as dez horas da manhã.

Um mês antes, o Paulo fora a uma festa de aniversário de um amigo. Conhecera Sofia. Ficara com ela toda a noite. Trocaram números de telefone. Saíram algumas vezes. Até que Paulo deixara de contactar Sofia. Sem que ela percebesse porquê. Estava há já uma semana sem dar notícias. E Sofia sentia saudades dele. Nunca ela lhe tinha ligado nesse período. Medo. Não sabia bem, ela, de quê. E o Paulo não ligara, também. Por medo. Sabia ele de quê. E bem. Mas o papel, rasgado, ainda conservava aquele número. Número que já ele tinha guardado. Mas nunca deitara o papel fora. Porque significava algo para ele. Paulo pensara em desistir, ao longo daquela semana. Tinha medo. De sofrer. De querer mais aquela mulher do que podia o seu coração aguentar. De não ter capacidade de segurar tão forte sentimento. De poder ter uma desilusão. De cair de novo na mais completa miséria interior. E ela não ligou. Provavelmente não estava interessada nele. Pelo menos tanto como o sentimento inverso, dele por ela. Sofia fechou o livro. Pegou no telefone. Lista de contactos, letra ‘P’. Ia ligar-lhe. O telefone dele, em casa, tocou várias vezes. Ninguém atendeu. Paulo caminhava, meio perdido. Tinha vontade de chorar. Sentia algo muito forte. E tanto medo ao mesmo tempo. Sofia levantou-se, pagou a água, e saiu. Andou imenso, pelas ruas cheias de gente. Cheias de gente, mas que a faziam sentir só. Irremediavelmente só. Passou por algumas montras. Não ligou. Viu um cão abandonado, a passear desinteressado. Não ligou. Passou por um homem muito mal vestido, com ar de campónio. Sorriu. Mas não ligou. Até que pegou no telefone. Ligou. Ninguém atendeu. Continuou a caminhar. As lágrimas não demoraram muito. Sentia saudades dele. Nunca pensou que ele fosse tão importante ao fim de tão pouco tempo. Paulo era divertido. Fazia Sofia sentir-se bem. Fazia-a rir. Tinha sempre algo a dizer. Sorria sempre para ela. Aquele sorriso. Aquela voz. Aquela companhia. Continuou a andar, agora ao ritmo das lágrimas, que lhe deixavam a marca no rosto. Do sofrimento que sentia. Queria gritar. Mas não tinha coragem de o fazer. Porque sabia que se começasse, não pararia. Continuou o percurso, até parar abruptamente. Era ele. O Paulo, sentado do outro lado da rua, numa escada, olhava um papel. Sofia como que gelou. E do gelo, rapidamente, passou ao oposto. O peito queimava de tanta ansiedade. Não hesitou. Atravessou a estrada e parou diante dele. Olhou o papel, rasgado, e reconheceu-o. 

- Esse número é meu… - disse ela, sorrindo.

- Pois…

- Estás à espera de quê?

- De saber se devia usá-lo.

- O número não digo, mas telefone…

- Ligaste-me?

- Sim. Desapareceste. Sem dar razão.

- Desc…

- Eu sei. Vais inventar um monte de coisas. Que eu não quero ouvir agora. Só me interessa saber, neste momento, se vais ficar aí sentado.

- Mas…

- Não te perguntei nada. Estou aqui. Senti a tua falta. Só quero ver o que vais fazer agora…

Paulo levantou-se. Beijou-a.

- E agora, vais voltar a sentar-te? - perguntou ela.

Paulo guardou o papel no bolso. Sentia vergonha. Demorou uma semana a perceber se devia ligar ou não. Mas apenas alguns segundos a perceber que tinha que a beijar.

- Nem mais uma palavra. - disse Paulo.

Pegou na mão de Sofia. Foram embora. De longe, de uma janela, um velho olhava-os. Com um sorriso.

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Wednesday, June 28, 2006

Milésimas

No meio de tanta derivada, de tanta aproximação linear, ou quadrática, de determinantes Hessianos ou de multiplicadores de Lagrange, paro uns minutos. Estou há tanto tempo no meio disto, da lógica, da certeza, da aproximação às milésimas. E pergunto onde fica a incerteza no meio disto tudo. Onde fica mesmo? Porque as ciências exactas têm o fascínio de podermos chegar exactamente ao número pretendido. Com o processo certo. Mas eu sou um amante da incerteza. Do caos, da confusão, da inconstância. Porque aqueles que um dia ousaram deixar de ser os alinhados pela norma, pela aproximação às milésimas, ganharam um lugar na imortalidade. Porque o rasgo surge precisamente no momento em que se largam aquelas milésimas do arredondamento. Porque o rasgo surge no instante em que se esquece a lei matemática que explica o acontecimento. E enquanto existirem homens e mulheres capazes de tirar os restantes da norma e do previsibilidade, talvez ainda haja espaço para acreditar em alguma coisa. Porque as grandas façanhas da Humanidade estão nos que fogem da linha. Dos que não são normais. Dos que escapam à cruel e limitadora vontade de seguir a norma. Dos que ousam gritar quando todos os mandam calar. Dos que não sentem vergonha de pensar de forma diferente. Dos que abrem o peito às balas da crítica estúpida e acéfala das bestas. Esses têm um futuro. Não no meio dos alinhados, mas sim no firmamento de ideias. Esses serão um dia imortais. E agora, volto para a lógica…

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Sunday, June 18, 2006

Três lágrimas

O nevoeiro, sobre o mar, tornava aquela paisagem fria, estática, cinzenta. O horizonte perdia-se nos confins daquela massa de água. Ele não conseguia encontrá-lo. Por dentro, o vazio. Sentia a falta dela. Sabia que Ela não estava longe, mas isso pouco importava. Amava-a com tanta força que parecia desesperar. Aquela lágrima que deixou cair cortou-lhe o rosto por onde passou. Não mais sabia onde encontrar a mulher que amava. A lágrima, gelada, deixou-o imóvel. Perplexo com aquele estado de espírito. Em parte, sentia-se tremendamente desesperado, pela mágoa da ausência. Mas, por outro lado, sentia-se mais vivo do que alguma vez conseguira. Sabia que chorava daquela forma por amar na plenitude. Sabia que aquilo era, seguramente, o que o Homem decidira um dia chamar de “amor”. Sabia que Ela estava presente em cada pedaço do seu olhar, em cada suspiro que dava, em cada gesto que fazia. Sentia o rosto dela varrer-lhe a mente. Sabia que era com Ela que queria estar naquele momento. Naquela rocha, naquela praia. Sabia que talvez Ela não fosse aparecer. E outra lágrima percorreu o seu rosto. Mais um corte. Mais uma ferida. Não aguentava a sensação de a ter perto e não lhe chegar. Ela andava, certamente por ali. Mas Ele estava silenciado, na dor. Tentou encher o peito e gritar o nome dela bem alto. Mas não conseguiu. Mais uma lágrima desceu o seu rosto. Até que ganhou coragem. E gritou o nome dela. Bem alto. O som ecoou pelo espaço envolvente. O vento encarregou-se de levar aquele chamamento desesperado aos lugares mais distantes.

- Sim… - disse Ela.

Ele voltou-se. Ela estava ali, mesmo atrás dele. Há minutos. À espera do momento para o chamar. E Ele decidira qual o momento. Enquanto que Ele havia congelado, não conseguindo mover-se, Ela avançava para Ele com passos confiantes, decididos, determinados. Beijaram-se como se não houvesse mais nada à volta. Como se aquele mar imenso se fosse afastar para os deixar a sós. Como se as gaivotas fossem voar para longe deles. Como se a areia se movesse para outro lugar. O beijo durou o tempo suficiente para que o espaço se diluísse em redor deles. O beijo durou o tempo suficiente para o tempo se desvanecer nas mentes de cada um. O beijo durou tempo suficiente… Uma vida. Ainda hoje voltam àquela praia. De lá trazem um beijo. Uma memória. A mesma paixão.

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Saturday, June 17, 2006

Gostei muito…

O Irão é uma potência nuclear. Portugal joga muito à bola… Há dúvidas? Os jogadores da Argentina e da Holanda vão começar a dormir muito mal…

P.S.: E temos o Deco.

Posted by O Ácido at 16:04:38 | Permalink | Comments (1) »

Monday, June 12, 2006

De volta…

Cansado…
Homem derrotado…
Energia no fim…
Guardar as memórias…
Amar-te de forma sobrenatural…

Depois de tudo…
Enfim, só…

Sentir a dor…
Ouvir músicas melancólicas…
Fugir das paredes…
Remoer memórias…
Imaginar lugares…
Martirizar o espírito…
Efrentar a solidão…
Não saber onde estou…
Tentar e não conseguir…
Outra vez aqui, na tristeza…

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Sunday, May 28, 2006

Lugar

O Sol brilhava, imponente. O vento soprava com leveza. Pássaros Davam o tom que os ouvidos agradeciam. Linda, a paisagem levava o pensamento. Ao sabor do vento. As árvores eram testemunhas sIlenciosas da profundidade do momento. O balançar dos seus ramos, também ao sabor do vento, desenhaVa no chão as mais confusas sombras. Os raios de luz ivadiam aquele espaço por entre as folhas das árvores, como areia a escapar entre os dedos. O cheiro a eucalipto, agradável, como sempre, trazIa consigo bem-estar. A verdade é que não estive Neste local que acabei de descrever. Mas ao olhar para os teus olhos, verdes, lindos, profundos, não preciso de ir a este lugar. Contigo estou bem. O resto vem por Acréscimo. Deus, como a amo. Como ela é linda. Obrigado. 

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Sunday, May 21, 2006

Instante

Às vezes é uma questão de milissegundos. É uma questão de estar em sintonia. De Poder presenciar um momento diferente. Único. InEsquecível. Por vezes, basta um olhar. Olhar na direcção certa. Aquela sensação de ter caído num lugar diferente, de ter sido irremediavelmente apanhado. PaRece que saímos de um lugar seguro para o meio de um tornado. Um tornado de emoções. Às vezes, parece que somos presas indeFesas perante um predador imponente e insaciável. Parece que somos lentos de mais para tão veloz caçador. Naquele momento, impErceptível, imprevisível e impossível de cronometrar, passamos do porto seguro para o balançar do alto mar. E que bom que Isso é. Amar é mesmo isso. É abandonar a segurança, a estabilidade, a calma da maré baixa, e entrar por um turbilhão de emoÇões, pelo desconhecido, pelo inseguro espaço que nos abraça de imediato, pela revolta do mar agitado, pelos relâmpagos e trovões de uma tempestade. E nesses momentos, em que caímos no amor, na paixÃo, no desejo, o medo toma conta de nós. Porque quem ama, teme. Quem ama, chora. Quem ama, hesita. No meiO de isto tudo, o teu olhar é o garante da tranquilidade. Dá-me dez segundos para olhar-te nos olhos. Sorri para mim. Dir-te-ei que te amo. Quanto te amo. Como te amo. O mar acalmará. Passarei a respirar mais suavemente. Menos batimentos cardíacos por minuto. É isso mesmo. Tranquilo. Um olhar tranquilo. O ser humano não é perfeito. Este sentimento é a perfeição.

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