Desconto de tempo
E se um dia, todos resolvêssemos parar para pensar. Se ninguém mais fosse cumprir com as suas responsabilidades, revindicando para si o direito de pensar. Seria criticável? Seria justo dizer que não? Não precisaria o Mundo de parar um mês para discutir uma série de questões importantes? Pena ser completamente impossível…
Mas talvez fosse bem preciso fazê-lo. Importante seria fazer uma profunda reflexão sobre os problemas que afectam a Humanidade, mas para a qual a vida de hoje em dia não reserva tempo. Será mais importante, por exemplo, discutir se devemos perdoar a dívida africana, em vez de discutir de que maneira não terá África, dentro de 50 anos, de pedir novo perdão? Será mais importante saber se há água em Marte do que saber que novas formas de produzir energia poderemos usar quando o petróleo se esgotar? Será mais importante criar o Estado da Palestina do que dar um Estado aos Curdos? Será mais importante discutir se a Espanha deve dar independência ao País Basco do que discutir se deve escolher o “Sim” para a Constituição Europeia? Será mais importante discutirmos os critérios de entrada nas fronteiras da União Europeia ou discutir como deveremos dar solução àqueles que já entraram nessas mesmas fronteiras? A questão, meus estimados amigos, é mesmo essa. Nenhum destes assuntos é mais importante do que os outros. A grande questão tem a ver com o facto de ser, neste momento, verdadeiramente importante discutir isto tudo. Não há grandes prioridades. Todos estes assuntos, e muitos outros que me levariam horas a enumerar, estão na ordem do dia. E enquanto os nossos políticos não se decidirem a esclarecer os povos e a darem uma resposta a muitos destes problemas, iremos perder anos, décadas, séculos, enquanto eles, sentados nos seus “tronos”, irão fazer do Mundo um enorme tabuleiro do jogo “Risco”. Ganhar territórios. E dinheiro com isso. O Mundo é assim há imenso tempo. Tempo demais. Já chega. Estamos a derreter aos poucos. Muito lentamente…