Saturday, March 25, 2006

O Truque

Era uma vez um menino. O seu sonho era ser ilusionista. Passava a vida a fazer truques, e quando lhe perguntavam como é que tinha feito, a sua resposta não se fazia esperar. Passava a mão nos seus caracóis, ficava envergonhado, sorria e dizia “Magia!!!”.

Se me perguntarem como foi que tudo aconteceu ontem…

“Magia!!!”

 

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Sunday, March 12, 2006

Apenas Física

Imaginem uma formiga, pousada na beira de uma chávena. Se quiser atingir um ponto do outro lado da chávena, dá a volta à parte de cima da chávena, movimentando-se em duas dimensões. Tudo num plano horizontal. Mas se lá estiver uma mosca, ela tem mais facilidade em chegar ao outro lado da mesma chávena, pois para além de se poder movimentar em duas dimensões, no plano horizontal, ainda consegue voar, o que acrescenta uma terceira dimensão ao seu movimento, podendo passar sobre o líquido contido na chávena sem problemas. Os físicos acreditam que a quarta dimensão será o caminho mais fácil para chegar ao outro lado da chávena. O problema é que o ser humano não tem capacidade para imaginar uma quarta dimensão. O nosso cérebro não consegue. Já pensei muito nas analogias que isto poderia ter com a vida. E já percebi qual é quarta dimensão. A quarta dimensão, o caminho mais fácil para a felicidade, o caminho mais desconhecido do ser humano, é mesmo o amor. Porque os caminhos do amor são realmente tortuosos. Porque também não conseguimos imaginar como é esse caminho, porque sabemos que podemos bater com a cabeça na parede ao virar de uma esquina. Sim, porque na quarta dimensões não faltam esquinas. Mas vale a pena arriscar e viajar a quatro dimensões. Vale a pena sentir esta adrenalina de estar no desconhecido. Vale a pena estar a cometer a proeza de descobrir o caminho mais fácil para a felicidade. E vale a pena sentir cada segundo que passa como um acréscimo de vida que nos percorre as veias. Porque somos feitos todos do mesmo e não vale a pena sentir que somos mais fracos. Nada disso. Somos todos capazes de amar, de sorrir, da fazer alguém feliz. E, se esse alguém está ali, mesmo ao virar de uma das múltiplas esquinas da quarta dimensão, vale a pena ficar parado, com medo? Nem pensar. Recuso-me a acreditar nisso. Porque já estive bem lá no fundo. E saí de lá. E porque amigos, irmãos da vida, camaradas de armas me fizeram acreditar que mais vale falhar a tentar, do que desistir antes de tentar. E porque a minha missão é ir buscá-los lá ao fundo quando eles lá estiverem. Porque já estive no fundo, já saí de lá, já me ajudaram a mim. E se um irmão não nos ajuda, quem nos vai ajudar? Porque a quarta dimensão não é tão desconhecida como parece. Não é tão difícil de perceber como parece. Sabem porquê? Parem alguns segundos… Respirem com naturalidade… Lentamente, inspirem e expirem… Sintam o ar a entrar e tenham consciência disso… Pensem naquele rosto que tanto adoram… Naquele nome… Pois bem, a quarta dimensão é mesmo aí. Dentro de cada um de vocês…

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Tuesday, March 7, 2006

Aqueles Quatro

Aqueles Quatro estavam ali, petrificados, pela paisagem, pelo frio, pelo que sentiam. Estava cada um a pensar no que acontecera, no que estava ainda para acontecer. Pensavam em silêncio. Até que um deles teve que desabafar. Outra vez. E todos o ouviram, como amigos, como sempre. Não como amigos. Como irmãos. Porque a vida junta aqueles que podem deixar de ser amigos para se tornarem irmãos. E ali, no frio, iriam tornar-se irmãos, para sempre. E outros também falaram, outros disseram o que sentiam. Aqueles Quatro viveram algo de verdadeiramente místico, algo que nem todos têm a sorte de viver. E todos puderam libertar os males que os atormentavam, todos ganharam coragem, todos encheram o peito e decidiram enfrentar tudo o que a vida lhes trouxesse. Com o sorriso irónico de quem ganha sempre. E Aqueles Quatro, ali, acabavam de saber que enquanto fossem Aqueles Quatro, iriam ganhar sempre. Aqueles Quatro tornaram-se eternos, porque o que ali foi dito perdurará naquele lugar para sempre. Nos pássaros, nas árvores, no Mundo. Aqueles Quatro ganharam ali força para enfrentar tudo. Aqueles Quatro renasceram ali.

- Sabes o que me dizem aquelas árvores? Para continuar a procurar…

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Friday, March 3, 2006

28 de Fevereiro

A noite acabava de começar. Ainda muito por aparecer, muito para acontecer. Estavam todos bem dispostos. Estavam todos a sorrir, a brincar, a dançar. A sinceridade daquele momento resume a amizade que os unia. Estavam em união. Perfeita. Até que Ela chegou. E Ela chegou sem pedir a ninguém. Entrou e ali ficou. E não mais Ele pensou no mesmo. Já não era aquela noite, era a noite em que Ela chegou. E quando chegou, apenas ficou lá. Ali. Ao lado. Ele queria ir ter com Ela. Não o faria por motivo nenhum em especial, apenas porque tinha que ir. E não mais pensou noutra coisa que não lá ir. E enquanto a noite parecia perder o encanto, Ele não desistiu. E foi lá. Decidido, foi, falou. E tentou. E Ela era mesmo Ela. Estava lá, mesmo lá, ao lado dele. E Ele sorriu por isso. E ainda hoje ele sorri. Porque, afinal, Ela era mesmo Ela.

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