Imaginem uma formiga, pousada na beira de uma chávena. Se quiser atingir um ponto do outro lado da chávena, dá a volta à parte de cima da chávena, movimentando-se em duas dimensões. Tudo num plano horizontal. Mas se lá estiver uma mosca, ela tem mais facilidade em chegar ao outro lado da mesma chávena, pois para além de se poder movimentar em duas dimensões, no plano horizontal, ainda consegue voar, o que acrescenta uma terceira dimensão ao seu movimento, podendo passar sobre o líquido contido na chávena sem problemas. Os físicos acreditam que a quarta dimensão será o caminho mais fácil para chegar ao outro lado da chávena. O problema é que o ser humano não tem capacidade para imaginar uma quarta dimensão. O nosso cérebro não consegue. Já pensei muito nas analogias que isto poderia ter com a vida. E já percebi qual é quarta dimensão. A quarta dimensão, o caminho mais fácil para a felicidade, o caminho mais desconhecido do ser humano, é mesmo o amor. Porque os caminhos do amor são realmente tortuosos. Porque também não conseguimos imaginar como é esse caminho, porque sabemos que podemos bater com a cabeça na parede ao virar de uma esquina. Sim, porque na quarta dimensões não faltam esquinas. Mas vale a pena arriscar e viajar a quatro dimensões. Vale a pena sentir esta adrenalina de estar no desconhecido. Vale a pena estar a cometer a proeza de descobrir o caminho mais fácil para a felicidade. E vale a pena sentir cada segundo que passa como um acréscimo de vida que nos percorre as veias. Porque somos feitos todos do mesmo e não vale a pena sentir que somos mais fracos. Nada disso. Somos todos capazes de amar, de sorrir, da fazer alguém feliz. E, se esse alguém está ali, mesmo ao virar de uma das múltiplas esquinas da quarta dimensão, vale a pena ficar parado, com medo? Nem pensar. Recuso-me a acreditar nisso. Porque já estive bem lá no fundo. E saí de lá. E porque amigos, irmãos da vida, camaradas de armas me fizeram acreditar que mais vale falhar a tentar, do que desistir antes de tentar. E porque a minha missão é ir buscá-los lá ao fundo quando eles lá estiverem. Porque já estive no fundo, já saí de lá, já me ajudaram a mim. E se um irmão não nos ajuda, quem nos vai ajudar? Porque a quarta dimensão não é tão desconhecida como parece. Não é tão difícil de perceber como parece. Sabem porquê? Parem alguns segundos… Respirem com naturalidade… Lentamente, inspirem e expirem… Sintam o ar a entrar e tenham consciência disso… Pensem naquele rosto que tanto adoram… Naquele nome… Pois bem, a quarta dimensão é mesmo aí. Dentro de cada um de vocês…