Wednesday, June 28, 2006

Milésimas

No meio de tanta derivada, de tanta aproximação linear, ou quadrática, de determinantes Hessianos ou de multiplicadores de Lagrange, paro uns minutos. Estou há tanto tempo no meio disto, da lógica, da certeza, da aproximação às milésimas. E pergunto onde fica a incerteza no meio disto tudo. Onde fica mesmo? Porque as ciências exactas têm o fascínio de podermos chegar exactamente ao número pretendido. Com o processo certo. Mas eu sou um amante da incerteza. Do caos, da confusão, da inconstância. Porque aqueles que um dia ousaram deixar de ser os alinhados pela norma, pela aproximação às milésimas, ganharam um lugar na imortalidade. Porque o rasgo surge precisamente no momento em que se largam aquelas milésimas do arredondamento. Porque o rasgo surge no instante em que se esquece a lei matemática que explica o acontecimento. E enquanto existirem homens e mulheres capazes de tirar os restantes da norma e do previsibilidade, talvez ainda haja espaço para acreditar em alguma coisa. Porque as grandas façanhas da Humanidade estão nos que fogem da linha. Dos que não são normais. Dos que escapam à cruel e limitadora vontade de seguir a norma. Dos que ousam gritar quando todos os mandam calar. Dos que não sentem vergonha de pensar de forma diferente. Dos que abrem o peito às balas da crítica estúpida e acéfala das bestas. Esses têm um futuro. Não no meio dos alinhados, mas sim no firmamento de ideias. Esses serão um dia imortais. E agora, volto para a lógica…

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Sunday, June 18, 2006

Três lágrimas

O nevoeiro, sobre o mar, tornava aquela paisagem fria, estática, cinzenta. O horizonte perdia-se nos confins daquela massa de água. Ele não conseguia encontrá-lo. Por dentro, o vazio. Sentia a falta dela. Sabia que Ela não estava longe, mas isso pouco importava. Amava-a com tanta força que parecia desesperar. Aquela lágrima que deixou cair cortou-lhe o rosto por onde passou. Não mais sabia onde encontrar a mulher que amava. A lágrima, gelada, deixou-o imóvel. Perplexo com aquele estado de espírito. Em parte, sentia-se tremendamente desesperado, pela mágoa da ausência. Mas, por outro lado, sentia-se mais vivo do que alguma vez conseguira. Sabia que chorava daquela forma por amar na plenitude. Sabia que aquilo era, seguramente, o que o Homem decidira um dia chamar de “amor”. Sabia que Ela estava presente em cada pedaço do seu olhar, em cada suspiro que dava, em cada gesto que fazia. Sentia o rosto dela varrer-lhe a mente. Sabia que era com Ela que queria estar naquele momento. Naquela rocha, naquela praia. Sabia que talvez Ela não fosse aparecer. E outra lágrima percorreu o seu rosto. Mais um corte. Mais uma ferida. Não aguentava a sensação de a ter perto e não lhe chegar. Ela andava, certamente por ali. Mas Ele estava silenciado, na dor. Tentou encher o peito e gritar o nome dela bem alto. Mas não conseguiu. Mais uma lágrima desceu o seu rosto. Até que ganhou coragem. E gritou o nome dela. Bem alto. O som ecoou pelo espaço envolvente. O vento encarregou-se de levar aquele chamamento desesperado aos lugares mais distantes.

- Sim… - disse Ela.

Ele voltou-se. Ela estava ali, mesmo atrás dele. Há minutos. À espera do momento para o chamar. E Ele decidira qual o momento. Enquanto que Ele havia congelado, não conseguindo mover-se, Ela avançava para Ele com passos confiantes, decididos, determinados. Beijaram-se como se não houvesse mais nada à volta. Como se aquele mar imenso se fosse afastar para os deixar a sós. Como se as gaivotas fossem voar para longe deles. Como se a areia se movesse para outro lugar. O beijo durou o tempo suficiente para que o espaço se diluísse em redor deles. O beijo durou o tempo suficiente para o tempo se desvanecer nas mentes de cada um. O beijo durou tempo suficiente… Uma vida. Ainda hoje voltam àquela praia. De lá trazem um beijo. Uma memória. A mesma paixão.

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Saturday, June 17, 2006

Gostei muito…

O Irão é uma potência nuclear. Portugal joga muito à bola… Há dúvidas? Os jogadores da Argentina e da Holanda vão começar a dormir muito mal…

P.S.: E temos o Deco.

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Monday, June 12, 2006

De volta…

Cansado…
Homem derrotado…
Energia no fim…
Guardar as memórias…
Amar-te de forma sobrenatural…

Depois de tudo…
Enfim, só…

Sentir a dor…
Ouvir músicas melancólicas…
Fugir das paredes…
Remoer memórias…
Imaginar lugares…
Martirizar o espírito…
Efrentar a solidão…
Não saber onde estou…
Tentar e não conseguir…
Outra vez aqui, na tristeza…

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