Saturday, May 20, 2006

De novo

Obrigado por estes oiteNta e um fantásticOs dias. InesquecíVeis e muitO especiais, como tu. Amo-te.

Uma semana. Ninguém me garante que não foi um ano. Sou um homem ferido. O espelho que tenho à minha frente mostra-me as feridas. Levei muita pancada em muito pouco tempo. Fui mesmo abaixo com tanto golpe. Feridas no peito, uma camisa manchada de sangue. Não tenho força, não consigo levantar-me. Foi uma árdua batalha, foi uma sucessão de duros golpes e perigosas armadilhas. O sangue derramado durante uma semana não voltará ao meu corpo, antes ficará a marcar os lugares que testemunharam o meu sofrimento. Os lugares onde deixei sangue, suor e lágrimas. Onde fiquei sozinho comigo mesmo, onde senti que tinha perdido tão precioso bem. Mas, mesmo depois de tão dura semana, depois de tanta ferida no peito, sei que ganhei. Por agora, ganhei. Porque, apesar de ter sofrido como um verdadeiro desgraçado, a bandeira, essa, está bem guardada. Debaixo de tanta pancada consegui guardar, com o orgulho de um soldado honrado, o bem tão precioso que tinha comigo: o amor que sinto por ti. Porque ainda me invade a sensação de estar imensamente apaixonado. De amar no limite. No máximo que as minhas forças me permitem. De amar até não poder mais. De sentir amor tão forte que me quase me atira contra a parede. De sentir um amor que desgasta, cansa, aflige, magoa, mas ao mesmo tempo preenche, realiza, motiva, anima e encoraja. Um amor profundo, vindo do desconhecido do meu interior, do lado que não sei bem onde fica, mas um amor que rasga os tecidos até chegar à superfície. Amo-te como se não pudesse fazer mais nada. E prefiro sentir-me minúsculo ao teu lado, como realmente me sinto, do que me sentir um gigante no meio do vazio. Amo-te como se não pudesse querer mais nada. Quero poder olhar mais vezes o brilho dos teus olhos, sentir mais vezes o suave toque da tua pele. Amo-te como se não pudesse sentir mais nada. Numa semana sofri os tormentos de quem cai no vazio. Agora tenho-te de volta comigo. Que bom é poder estar de novo contigo, olhar o teu lindo rosto, ouvir a tua doce voz, poder segurar-te nos braços, beijar-te intensamente. Contigo já passei momentos que não mais esquecerei. Amo-te como se não pudesse desejar mais nada. Amo-te como se não pudesse ser mais nada. Ainda bem. Passem as feridas, fique este amor. Como se não pudesse fazer, querer, sentir, desejar, ser mais nada. Posso tentar?

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Saturday, May 6, 2006

Triste

Obrigado por estes sessenta e seis Fantásticos dias. Inesquecíveis e Muito especiais, como tu. Amo-te.

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Friday, May 5, 2006

A lógica

Dúvida. É, neste momento, a palavra. Perguntem-me o que quiserem. Não sei. Estou revoltado. Não pode ser assim. Gostava de entender os lados errados das coisas. Porque é que, às vezes, o que parece bom, se torna invariavelmente mau. Porque é que o que sabe bem, se torna algo estranho. Porque é que o que nos deixa felizes, passa a deixar-nos angustiados. Sou louco? Sou, à minha boa maneira de o ser. Mas juro que isto não tem nada a ver com esses lados errados. Queria eu saber as respostas. Porquê? Só queria saber porquê. Sinto-me profundamente revoltado. Não sei responder a estas perguntas todas. Adoro desafios. Mas este já mete nojo, se me permitem a expressão. Já chateia. Já começa a moer. Já está a ser cansativo. Porque gosto de perceber a lógica das coisas, a mecânica dos acontecimentos. Mas há alguns bem difícieis de entender. Há alguns que enervam o mais paciente. Que embaraçam o mais inteligente. Que desanimam o mais corajoso. Eu sei que consigo. Sei que passo. Sei. É um dado lógico, e, se quisermos, estatístico. Passei sempre. Mas posso dizer que estou cansado. Já chega. Não aguento mais tentar determinar o valor de todas as variáveis em questão. Nos últimos meses resolvi o maior problema que se me deparou. Era bem complicado, com inúmeras variáveis, expoentes, raízes, logaritmos, senos e cossenos. Mas lá o resolvi. E quando parecia pronto a resolver os mais difíceis, eis que aparece este. Tenho enorme orgulho em ser como sou. Tenho enorme orgulho em amar do modo que amo. Tenho enorme orgulho em ter feito o que fiz. Tenho enorme orgulho em ter dito o que disse. Mas, sinceramente, sou um homem sem respostas. Como isso me chateia, como isso me aflige. Mas sou mesmo um homem sem respostas. Resta-me o cruel destino de continuar a amar. Porque é a única solução que tenho. Amar, do modo que amo. Não mais posso fazer. Mesmo sem saber qual é a lógica. Mesmo sem saber qual é a maldita resposta. Mesmo sem saber rigorosamente nada. Nada.

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Wednesday, May 3, 2006

Não chorei, mas…

Já fiz alguns quilómetros de carro antes de vir para casa. Sozinho, ou se preferirem, acompanhado pelo álbum “X & Y” dos Coldplay. A rua deserta, uma noite agradável, o vidro aberto, a música a tocar. Posso dizer que tocou repetidamente a faixa 11, “Swallowed In The Sea”, que de resto considero absolutamente envolvente e particularmente tocante. Linda, digamos. Precisava mesmo de ouvir a voz interior. E ouvi. Porque tenho sentimentos distintos, ambíguos e paradoxais sobre mim mesmo. Porque passei parte da minha vida, até aos dias de hoje, a ser convencido pelos meus pais, irmãos, familiares, amigos, colegas da escola, professores e, mais recentemente, até pela minha psicóloga, de que sou uma pessoa diferente. Diferente porque, segundo esta malta toda, faço coisas que não estão ao alcance de todos. Seja por ter aprendido a ler antes de ir para a escola, por ter tido notas brilhantes ao longo da maior parte da minha vida escolar, por as pessoas acharem que tenho imenso jeito para a escrita, já desde as saudosas composições da escola, por ser um bom comunicador, por parecer, às vezes, um filósofo a falar (hoje mesmo um professor meu disse que eu podia ser descendente de Aristóteles…), ou mesmo por fazer as pessoas rirem com facilidade. Tenho rebatido essa ideia ao longo destes anos todos. Acontece que a influência das pessoas foi tanta ao longo desse tempo, que às vezes quase fico convencido disso. E sorrio, com vontade de conquistar o Mundo. Mas por vezes também acho que faço tudo mal. Que nada corre bem por minha culpa. Que não sei andar de bicicleta (e não sei mesmo…) e nunca vou aprender. Sinto que nunca vou ter uma vida como a das outras pessoas, que o meu caminho será muito mais curvado e turtuoso do que o dos outros. E aí já não sorrio. E já tenho medo do Mundo. No que será para mim um gigantesco desabafo, e para vocês uma atitude da mais pura sinceridade, tenho que partilhar convosco este mesmo lado. Ser o Acosta implica alegria de viver, energia (até de mais…) e vontade constante de brincar. E tenho mesmo isso tudo. Mas o que eu queria que vocês soubessem é que ser o Acosta também implica medo, angústia e tristeza. Também vou abaixo. Também sofro. Também não tenho vontade de brincar, por vezes. Também não me apetece estar com ninguém, por vezes. Também me apetece gritar bem alto. Como vocês todos. E espero, do fundo deste coração apertado, enquanto escrevo, que sejam compreensivos. Que me aturem. Mesmo sabendo o grau de dificuldade que isso implica. E espero que se lembrem de mim sempre como alguém que disse as palavras certas. Mais nada. E espero que estas estejam no mesmo caminho. As palavras certas. Diferente já sei que sou. O tempo dir-me-á se para melhor ou para pior. Apenas sei que vos amo a todos, e conto convosco. E quanto a ti, amo-te. Já o tinha dito? Hoje não…

P. S.: Já no computador, “Swallowed In The Sea” continuou a tocar repetidamente enquanto o texto foi escrito.

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Monday, May 1, 2006

Tu (outra vez…)

Linda, como sempre. Podia tentar fazer-te um poema. Mas seria extremamente redutor para ti “amarrar-te” a rima ou métrica. Nada te descreve melhor do que texto corrido, solto, Livre, sem regra. Porque assim te mostras ao Mundo. Sem limites ou fronteiras. Porque não terminas em parte alguma. Esse jeito elegante de andar, esse jeito terno de olhar, esse jeito carinhoso de sorrir. Continuas a ser, para mim, uma constante descoberta. Continuo a encontrar em tI novos olhares, gestos, palavras, tudo, enfim, que ainda guardas. E como me sinto pequeno enquanto surgem, vindos de ti, momentos de puro encanto. Como me sinto bem por poder sentir o afecto que irradias. Como é bom saber que guardas em ti tanto por descobrir. Que linda ficas a sorrir, que linda és a olhar, que linda és… E, a cada dia que passa, reparo numa Nova forma de beleza que guardas. Num novo plano que te revela, linda, como sempre. Num novo momento de pura magia. Porque o menino que adorava magia está tão espantado, agora que descobriu alguém que faz magia só por estar. Só por ser. Só porque beleza Destas não se encontra. Não se tem. Acredita-se. Mulher alguma pode ser assim. Eu não acredito, prefiro dizer que sei. Sei que és linda. Sei que encantas. Sei que não existes. Porque ainda acho que não passas de uma miragem. De uma imagem que não sei porquê me aparece. Não passas de um sonho. E que sonho, este… Ou talvez existas, algures por aí. Talvez não sejas uma miragem. Talvez porque te Amo. Linda, talvez porque te amo. Única, talvez porque te amo. Só isso…

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Tuesday, April 25, 2006

Tu

Um dia lindo de Sol. Seja na praia, no meio das árvores, numa rua deserta, em qualquer lugar. Ou então debaixo de chuva intensa, seja num beco sem saída, seja dentro do carro, num semáforo, com um calor insuportável. A beleza compensa Tudo o que me faça desanimar. Esteja triste por estar, por não estar, por ser ou por não ser, ainda bem que estás aqui. A forma subtil e elegante como me apareceste nunca poderia indiciar que serias assim, importante, imponente, linda, graciosa, leve, como que a pairar no ar. Não existem pessoas perfeitas, e ainda bem. Mas existem aquelas que nos fazem parar para pensar. Existem aquelas que nos fazem sentir tão bem. Existem aquelas que parece que estão sobrepostas a todos os lugares, parece que não estão lá, só aparecem, iluminam, encantam, mas não estão lá. Nunca estiveram. São um produto das nossas mentes. Ou dos nossos sonhos. Mas aparecem. E gostamos tanto de as encontrar lá. E eu tive A sorte de te encontrar. Linda, a sorrir, a brincar, aos poucos fui conhecendo alguém que parecia não ter fim, não se esgotar em presença, gesto ou palavra. Alguém que ultrapassa o que consigo entender no ser humano. Alguém que preenche os espaços da alma de forma perfeita. Que está, que fica, sorri, ouve, fala, com voz doce, sorri, e sorri… E como é bom ter esse sorriso. E por isso passo tanto tempo a olhar para ti, Tanto tempo a sorrir para ti. Porque por mais que tente, não consigo dizer-te tudo. Não é possível. Não o consigo demonstrar. Parece que vou explodir, mas não consigo falar-te de tudo o que me vai na alma. Porque está mesmo do lado de dentro de mim, do lado mais profundo. Do lado mais sentido. E quero dizer-te, como quem tem medo do escuro, que tudo o que representas está para além do que consigo expressar. E só com este Insignificante texto não consigo lá chegar. Nem irei nunca conseguir. Não vais perceber. Ninguém vai. Nem mesmo eu, porque está para lá do que consigo atingir. Estás num qualquer lugar secreto da minha alma, não num lugar daqueles de fácil acesso. Estás lá, mesmo lá, nem mais em cima, nem mais ao lado, estás lá. Mesmo ali. Como naquela noite. Estavas ali. Sorte A deste pobre homem. Ainda estás aqui. Não sei nem quero saber até quando. Tudo o que quero é saborear esta sorte como quem sorri com uma brisa fresca No rosto. E estou a saborear esta mesma sorte o melhor que sei. Porque por mais que te diga, não sei dizer que te amo. Não sei como dizê-lo. Dizê-lo na simples forma de palavra, esgota-se naquele instante. Não quero dar-te um amor que se esgota num instante. Quero dar-te um instante que se esgote num beijo. Num longo beijo. Porque te Amo. Já disse… Lá estou eu outra vez… Amo-te. A sério. Porque… Sei lá. Amo-te. 

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Monday, April 24, 2006

Posse de bola

Como fanático por futebol, vou começar a pôr neste blog algumas crónicas, se assim não se importarem que lhes chame, sobre futebol. Adoro uma boa conversa sobre futebol, e acho que umas crónicas aqui neste espaço destinadas a esse tema vão gerar imensos comentários, usufruindo assim da enorme interactividade e dinâmica que os blogs podem proporcionar. As crónicas irão receber o nome de “Posse de bola”.

Passando assim ao tema principal, quero falar um pouco sobre o título que o Porto garantiu em Penafiel. Reconheço todo o mérito ao novo campeão nacional. A época começou com grande esperança nas hostes portistas. A última época fora um autêntico pesadelo, com a dança de treinadores e de jogadores, tão invulgar para o lado do Dragão, a ter um efeito altamente nefasto para as aspirações da equipa da Invicta. Por outro lado, a pré-época trouxe esperança aos dragões. Um treinador altamente disciplinador, por vezes até autoritário, que parecia querer implementar um sistema de jogo que proporcionasse um futebol atractivo, com espectáculo e muitos golos. Começava a ser reconhecido por todos que o Porto iria ser um sério candidato a dominar o futebol luso, pois os jogos de preparação mostravam um Porto de qualidade. Porém, a época não se revelou assim tão risonha. Alguns resultados inesperados e algumas surpresas nos onzes apresentados faziam pairar sobre o Dragão a ideia de poder repetir-se a época passada. E a verdade é que Co Adriaanse teve alguns problemas em chegar a um onze-base. Fez algumas experiências que resultaram em fracassos, como colocar Hélder Postiga como nº 10 ou jogar sem médios defensivos, a nível de laterais teve também dificuldades, com a ausência de um lateral-esquerdo até à chegada de Marek Cech, ou ainda a total inoperância de Sonkaya, jogador que veio para o Porto com o seu aval, ou até na gestão do gigantesco problema que representou no Porto a sua decisão de “encostar” Jorge Costa. Os tempos de Adriaanse no Porto foram conturbados em grande parte da época, pois os adeptos não concordavam com as suas decisões. Para além disso, Adriaanse chegou mesmo a ser algo duro com os jogadores, ao ponto de ter praticamente culpado Raúl Meireles pelo desaire no Guiuseppe Meazza, ante o Inter de Milão. E logo num jogo em que Adriaanse teve muitas falhas no modo como geriu a equipa ao longo do jogo. O culminar da efeverscência foi atingido quando Co Adriaanse, num episódio lamentável, foi alvo de um ataque à sua viatura, à saída do centro de treinos do Olival. O facto de ter perdido os dois jogos com o Benfica também veio alimentar o desejo dos adeptos azuis-e-brancos em que o holandês fosse despedido.

A dada altura, surgiu um pouco a ideia, que eu partilhei e subscrevi, de que Co Adriaanse, um pouco como Ronald Koeman, não vinham trazer nada de novo ao futebol português. Mas hoje, a esta distância, reconheço que quanto ao treinador dos dragões, a ideia está completamente errada. Quando as coisas começaram a complicar mais para Co Adriaanse, o treinador resolveu ir à raíz das suas ideias, à base da sua filosofia, e trouxe para a sua equipa o tão holandês 3×4x3, que no caso do Porto resultou num 3×3x4. À partida, o comum adepto pensou que se até ali a situação não era famosa para o técnico holandês, então a jogar com três defesas o descalabro aproximar-se-ia sem demora. Mas aqui surgiu a grande cartada de Co Adriaanse. Começou por substituir Vítor Baía por Helton, claramente melhor a jogar com os pés, o que é fundamental neste sistema táctico. A troca até pode ter sido polémica, pois foi feita logo após uma exibição menos conseguida de Vítor Baía na Reboleira, o que não motivou a simpatia dos adeptos, mas o guarda-redes brasileiro esteve em grande nível até final da época.

Depois assentou o trio de defesas composto por Bosingwa, que é muito rápido, em Pepe, claramente a figura da defesa do Porto, um central que não inspirava grande confiança entre os adeptos, mas que revelou enorme segurança, pois mesmo quando cometia uma ou outra falha, a sua rapidez permitia que recuperasse rapidamente a posição, e ainda em Pedro Emanuel, central de grande capacidade de posicionamento, aqui usado como lateral-esquerdo.

Quanto ao meio-campo, Paulo Assunção foi também uma grande revelação. Um sentido táctico muito apurado, excelente posicionamento, grande capacidade de recuperação e muita certeza no passe, fizeram dele um pêndulo no meio-campo, um jogador-chave deste Porto. Lucho Gonzalez dispensa apresentações, é titular da selecção Argentina e é, na minha opinião, o melhor jogador a actuar no nosso país. Jogador de processos simples, muito eficiente na transposição defesa-ataque, bom também em tarefas defensivas, e, como se isso não bastasse, revelou ainda uma faceta goleadora. O outro médio é, na minha opinião, uma das grandes vitórias pessoais de Co Adriaanse. Raúl Meireles está, sem dúvida nenhuma, um jogador muito mais evoluído do que há um ano atrás, o que resulta do seu amadurecimento natural, mas também do trabalho que o técnico holandês terá desenvolvido no sentido de tornar o internacional sub-21 num jogador muito mais completo, e não aquele médio exclusivamente defensivo que deixou o Boavista rumo ao rival do Dragão. Vou ao ponto de afirmar que Raúl Meireles será um jogador a ter em conta num futuro próximo na selecção nacional, após o Mundial da Alemanha.

Relativamente ao ataque, quatro jogadores bem sobre a largura do ataque, o que não só é difícil para o adversário defender, mas para iniciar jogadas de ataque a partir da sua defesa. Aqui reside um dos pontos fundamentais deste 3×3x4. São apenas três defesas, ajudados por um médio mais recuado que encosta aos centrais na hora de defender, neste caso Paulo Assunção, mas a equipa compensa com muita pressão, exercida em zonas mais avançadas, e logo por quatro homens. Neste caso, Quaresma, indiscutível, talentoso, genial, enfim, muito resolveu ao Porto, mas muito tem que agradecer a Co Adriaanse por hoje ser o jogador que é. É, a par de Raúl Meireles, a outra grande “obra” do treinador holandês. Na outra faixa, Lisandro Lopez, Ivanildo ou Jorginho, e na frente McCarthy e Adriano. O brasileiro fez alguns golos, e o sul africano foi uma das razões pelas quais o Porto não garantiu este título mais cedo. McCarthy esteve “ausente”, andou não se sabe muito bem a fazer o quê, e com uma época normal, ao seu nível, o Porto teria passeado pelo Campeonato. Em suma, Co Adriaanse é um treinador polémico, não faz muitas vezes aquilo que se espera, mas deixou, no meu entender, marcas em dois pontos: trouxe pela primeira vez a este país o 3×4x3, que é talvez, como diz José Mourinho, a forma mais evoluída de se jogar futebol, e deu à nossa selecção duas novas alternativas, fruto do seu trabalho. São elas Ricardo Quaresma e Raúl Meireles. Parabéns ao Porto, parabéns a Co Adriaanse.

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Thursday, April 20, 2006

O Frio

Quando o velhote espreitou pela janela, apercebeu-se de que o frio estava a mandar toda a gente para casa. “Fracos”, pensou ele, sabendo quantas vezes já tivera frio, quantas vezes já tremera, quantas vezes já sentira falta de roupa de Inverno. Mas sorria, sabendo que tinha passado por tudo aquilo, chegara até ali incólume perante as agruras da vida. Então percebeu que estava errado. Por ter sofrido, não podia condenar aqueles que agora sofriam. Só tinha uma coisa a fazer. Pegou em alguns cobertores que tinha guardados no armário, vestiu o sobretudo, e saiu. “Vou encontrar muita gente que vai agradecer por estes cobertores…” E, numa tarde, distribuiu todos os cobertores que levava. E sorriu, porque tinha feito aquilo que, um dia, sonhara que lhe tivessem feito a si. E ajudou a sorrir muitas pessoas que estavam encolhidas por causa desse mesmo frio. O frio que já sentira. Aquele frio. Hoje não está muito frio. Já esteve bem mais.

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Saturday, March 25, 2006

O Truque

Era uma vez um menino. O seu sonho era ser ilusionista. Passava a vida a fazer truques, e quando lhe perguntavam como é que tinha feito, a sua resposta não se fazia esperar. Passava a mão nos seus caracóis, ficava envergonhado, sorria e dizia “Magia!!!”.

Se me perguntarem como foi que tudo aconteceu ontem…

“Magia!!!”

 

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Sunday, March 12, 2006

Apenas Física

Imaginem uma formiga, pousada na beira de uma chávena. Se quiser atingir um ponto do outro lado da chávena, dá a volta à parte de cima da chávena, movimentando-se em duas dimensões. Tudo num plano horizontal. Mas se lá estiver uma mosca, ela tem mais facilidade em chegar ao outro lado da mesma chávena, pois para além de se poder movimentar em duas dimensões, no plano horizontal, ainda consegue voar, o que acrescenta uma terceira dimensão ao seu movimento, podendo passar sobre o líquido contido na chávena sem problemas. Os físicos acreditam que a quarta dimensão será o caminho mais fácil para chegar ao outro lado da chávena. O problema é que o ser humano não tem capacidade para imaginar uma quarta dimensão. O nosso cérebro não consegue. Já pensei muito nas analogias que isto poderia ter com a vida. E já percebi qual é quarta dimensão. A quarta dimensão, o caminho mais fácil para a felicidade, o caminho mais desconhecido do ser humano, é mesmo o amor. Porque os caminhos do amor são realmente tortuosos. Porque também não conseguimos imaginar como é esse caminho, porque sabemos que podemos bater com a cabeça na parede ao virar de uma esquina. Sim, porque na quarta dimensões não faltam esquinas. Mas vale a pena arriscar e viajar a quatro dimensões. Vale a pena sentir esta adrenalina de estar no desconhecido. Vale a pena estar a cometer a proeza de descobrir o caminho mais fácil para a felicidade. E vale a pena sentir cada segundo que passa como um acréscimo de vida que nos percorre as veias. Porque somos feitos todos do mesmo e não vale a pena sentir que somos mais fracos. Nada disso. Somos todos capazes de amar, de sorrir, da fazer alguém feliz. E, se esse alguém está ali, mesmo ao virar de uma das múltiplas esquinas da quarta dimensão, vale a pena ficar parado, com medo? Nem pensar. Recuso-me a acreditar nisso. Porque já estive bem lá no fundo. E saí de lá. E porque amigos, irmãos da vida, camaradas de armas me fizeram acreditar que mais vale falhar a tentar, do que desistir antes de tentar. E porque a minha missão é ir buscá-los lá ao fundo quando eles lá estiverem. Porque já estive no fundo, já saí de lá, já me ajudaram a mim. E se um irmão não nos ajuda, quem nos vai ajudar? Porque a quarta dimensão não é tão desconhecida como parece. Não é tão difícil de perceber como parece. Sabem porquê? Parem alguns segundos… Respirem com naturalidade… Lentamente, inspirem e expirem… Sintam o ar a entrar e tenham consciência disso… Pensem naquele rosto que tanto adoram… Naquele nome… Pois bem, a quarta dimensão é mesmo aí. Dentro de cada um de vocês…

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